Reforço de Pontes
Fatos curiosos na História da Construção Metálica

"Além de econômico, limpo, rápido e sem interromper, em nenhum momento, o tráfego daquela ferrovia de grande movimento, o sistema ainda ajudou na composição estética da paisagem."
São conhecidas as características vantajosas das estruturas metálicas, entre outras, as de serem facilmente reforçadas ou adaptadas para novas cargas ou tipos diferentes de utilização. Em geral, tais reforços de estruturas ou adaptações são obtidos por adições de materiais sobre as antigas peças, de forma a aumentar os momentos de inércia ou as áreas das seções.

No entanto, o caso que aqui nos referimos foi o de reforços de estruturas em uma série de seis pontes, realizados há alguns anos para a RFFSA, no trecho Belo Horizonte a Divinópolis, em Minas Gerais, por um sistema totalmente original, pelo menos no Brasil. As pontes em questão, construídas no início do século com estruturas importadas, não respondiam mais às novas cargas provenientes das composições da Companhia Vale do Rio Doce carregando minério de ferro e trafegando com maior velocidade.

A solução adotada foi decorrente do desenvolvimento do sistema idealizado pelo professor Edgar Cardoso, da Universidade de Lisboa, com fabricação e montagem do reforço da estrutura realizada em 1982 pela empresa Andratell, uma antiga sócia da Abcem.

O princípio do sistema baseou-se na construção de dois arcos paralelos às treliças principais, nelas encostadas pelo lado externo, e a criação de pendurais ligando os arcos às extremidades das transversinas, devidamente reforçadas por sistema de atirantamento, e compensando os esforços horizontais nas fundações por meio de um conjunto de tirantes longitudinais em aço tipo Dyvidag, com tração controlada, sendo um conjunto para cada arco.

A vantagem desse sistema foi que, com exceção dos trabalhos de adaptação das transversinas por atirantamento e a execução de reforços convencionais nas longarinas internas, serviços esses bastante simples e realizados sem qualquer interrupção do tráfego, não houve nenhum trabalho nas treliças principais ou nas traves horizontais de contraventamento, mantendo~se totalmente livre o interior das pontes, durante todo o tempo das operações.

Com o sistema aplicado e por intermédio dos pendurais, suspendeu-se o conjunto, introduzindo-se esforços verticais de baixo para cima, neutralizando totalmente o peso próprio da ponte, que correspondia ao acréscimo de carga motivado pelo aumento do trem-tipo.

Além de econômico, limpo, rápido e sem interromper, em nenhum momento, o tráfego daquela ferrovia de grande movimento, o sistema ainda ajudou na composição estética da paisagem.

Se essas pontes não fossem metálicas, dificilmente seriam reforçadas, sendo a implosão a solução provavelmente adotada, seguida de construção de uma nova ponte com todos os inconvenientes resultantes desta opção.

     
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