Projeto para Estruturas em Perfis Tubulares
Passarela de acesso dos Shoppings Morumbi e Market Place em São Paulo

Os perfis tubulares são largamente utilizados na Comunidade Européia, Sudeste Asiático, América do Norte e na Austrália. Países como Canadá, Inglaterra, Alemanha e Holanda fazem uso intensivo de estruturas tubulares e contam com uma produção corrente, industrializada e contínua com alto grau de desenvolvimento tecnológico.

No Brasil, porém, até cerca de quatro anos atrás, o uso desses perfis na construção civil era bastante limitado, restringindo-se praticamente a coberturas espaciais.

A situação do mercado brasileiro, no entanto, começa a se alterar em razão da oferta de perfis tubulares estruturais pela V&M do Brasil. Diante da novidade da tecnologia, impõe-se a necessidade de divulgar e implementar o uso desse tipo de perfil em projetos de arquitetura e engenharia, bem como incentivar a ampliação das pesquisas na área.

O desenvolvimento de trabalhos na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em convênio com a Vallourec & Mannesmann Tubes, representada aqui pela empresa V&M do Brasil, começa a suprir a falta de informações sobre as vantagens construtivas dos perfis tubulares. A expectativa é que nos próximos anos sejam dissipadas as dúvidas e tabus, ainda persistentes entre nós, com relação às soluções estruturais em perfis tubulares, sobretudo quanto às ligações, consideradas um ponto vulnerável nesse tipo de estrutura.

É de se esperar que com o aumento da utilização e o aprofundamento dos estudos, o tema seja incluído de modo apropriado na NBR 8800/86 ou seja elaborada uma norma específica para o dimensionamento das estruturas em perfis tubulares.

Atualmente, a NBR 8800/86, utilizada para o dimensionamento de estruturas metálicas, trata o assunto de maneira superficial, especialmente no que tange às ligações das estruturas tubulares, sendo o dimensionamento de elementos estruturais tubulares feitos, em geral, por similaridade com o comportamento dos perfis soldados ou laminados.

Das Coberturas Espaciais às Casas e Edifícios

No Brasil, o uso de tubos em coberturas espaciais está bastante difundido e já provou sua eficiência. O avanço a ser feito diz respeito à sua utilização em residências e em projetos civis de grande porte, como edifícios de múltiplos andares, pontes, passarelas ou shopping centers.

Informações sobre edificações em estruturas tubulares surgidas nos últimos anos, com raras exceções, são pouco detalhadas, incompletas, escassamente divulgadas e de difícil acesso a arquitetos, engenheiros e fabricantes de perfis tubulares. Além disso, ainda não foram suficientemente enfatizadas as características plásticas das estruturas em perfis tubulares, tais como leveza, esbeltez e harmonia de formas.

Para colocar o Brasil em pé de igualdade com os países que fazem uso intensivo dos perfis tubulares, é fundamental discutir as concepções arquitetônicas decorrentes dessa nova maneira de construir, o conceito de projeto, bem como os aspectos relativos à produção industrializada dos componentes estruturais. Isso significa colocar em prática uma visão sistêmica do processo, enfatizando o papel do arquiteto e a interação entre os profissionais envolvidos.

Projetos em estruturas tubulares exigem integração entre o projeto arquitetônico e as demais fases do processo construtivo. Os detalhes de ligação são um bom exemplo da necessidade de integração. Se não forem bem planejados e executados, podem comprometer ou mesmo inviabilizar um bom projeto.

A tecnologia nacional para a execução de obras em perfis tubulares ainda é recente e embora se observe evolução nas técnicas construtivas, as ligações devem ainda ser foco de atenção especial de projetistas.

Dois Pontos Essenciais: Tecnologia e Concepção do Projeto

A tecnologia atualmente utilizada pela V&M do Brasil consiste na produção de perfis tubulares estruturais de aço sem costura, por processo de laminação a quente, a partir de bloco de aço maciço de seção transversal redonda. Esses blocos são perfurados por mandril e resfriados em leito de resfriamento até a temperatura ambiente.

Os tubos sem costura apresentam distribuição uniforme de massa em torno de seu centro e baixo nível de tensões residuais, característica que os distingue dos tubos de aço com costura, produzidos a partir de chapas de aço calandradas e soldadas.

Os processos de fabricação e montagem das estruturas tubulares são basicamente os mesmos utilizados para as estruturas constituídas de perfis de seção aberta convencionais. É ainda importante lembrar que as seções fechadas sejam circulares, quadradas ou retangulares, apresentam ótimo desempenho estrutural aos esforços de compressão, torção ou mesmo a esforços combinados, contribuindo consideravelmente na redução do peso próprio das estruturas.

Os detalhes das ligações devem ser cuidadosamente projetados e executados, uma vez que contribuem de forma significativa na estética, resistência e funcionalidade da estrutura.

Os aços estruturais, sejam eles patináveis ou não, podem ser encontrados com facilidade, atendendo às mais diversas especificações técnicas. Uma ampla gama de seções transversais (circulares, quadradas e retangulares) e bitolas (circulares, que vão de 26,7 mm a 355,6 mm; quadradas, provenientes dos tubos sem costura de 75 mm a 290 mm e retangulares, também provenientes dos tubos sem costura de 60 x 70 mm a 225 x 360 mm) estão à disposição do mercado nacional, o que libera a criatividade dos arquitetos, calculistas e projetistas.



     
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