Passarela com maior vão ferroviário brasileiro

Passarela com estrutura em aço liga a Estação Cidade Nova, do Metrô do Rio de Janeiro, à Prefeitura da cidade e se destaca na paisagem pelos grandes vãos em arco.

Devido à localização na Avenida Presidente Vargas, centro do Rio de Janeiro, e em frente à Prefeitura, havia uma grande preocupação com o impacto que a construção da Estação Cidade Nova do Metrô Rio de Janeiro teria na paisagem.

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As diretrizes estabelecidas pela Concessão Metroviária do Rio de Janeiro S.A. - Metrô Rio levou o projeto arquitetônico da estação a vencer desafios: a primeira, sua localização junto ao pátio de manutenção do Metrô, e a segunda, a necessidade de ligar os dois lados da avenida que, além da largura e do tráfego intenso, é passagem obrigatória de ônibus e carros que se dirigem e saem do centro da cidade, assim como passagem dos carros alegóricos em direção ao Sambódromo.

Com estas condicionantes em mãos, o escritório de arquitetura JBMC buscou soluções que, com o menor impacto no dia a dia da cidade, conseguissem vencer os grandes vãos impostos pela largura da avenida e pelo pátio de trens.

“A melhor alternativa para contornar estes obstáculos foi fazer a transposição da avenida através de uma passarela suspensa por grandes arcos metálicos – dois com vãos de 90 m cada e um terceiro, com 43 m sobre o pátio ferroviário”, afirma o arquiteto João Batista Martinez Corrêa.

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A transposição da Avenida Presidente Vargas através de grandes arcos em aço: dois com vãos de 90 m cada, e um terceiro de 43 m sobre o pátio ferroviário, à esquerda. No detalhe a direita, a ligação dos tirantes com a estrutura do piso da passarela. Segundo os arquitetos, a utilização do aço foi a mais adequada por mitigar os efeitos de construção no congestionado local de intervenção.

O aço foi o material escolhido para atender os desafios da execução do projeto, conforme destaca o arquiteto da JBMC: “a utilização do aço foi a mais adequada por reduzir o impacto de construção no congestionado local de intervenção. Como a estrutura em aço é executada em fábrica, sob rígido controle de qualidade, sua montagem é rápida e limpa e requer apenas que as fundações sejam feitas no local, causando alguns distúrbios apenas na fase inicial das obras”.

Inaugurada em 1° de novembro de 2010, a estação se destaca sobre a Avenida Presidente Vargas, pelos grandes arcos pintados com tons metálicos, atraindo os olhares e despertando a admiração de quem passa pelo local.

O projeto arquitetônico da estação, que ocupa uma área 2.500 m2, engloba o viaduto com o maior vão ferroviário urbano do país – com 110 m de extensão – e conecta a Linha 1 à Linha 2 do metrô carioca. As características arrojadas do projeto exigiram um planejamento de execução e montagem muito apurado. Outro desafio foram as restrições de espaço impostas durante a obra, no período de junho de 2009 a julho de 2010. O orçamento das peças estruturais, por meio de guindastes, ocorreu durante a madrugada de forma a não interromper o trânsito nas Avenidas Presidente Vargas e Francisco Bicalho.

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Acesso às plataformas da Estação Cidade Nova: fechamento com estrutura em aço e vidro, com brises para contenção da entrada da luz solar e controle térmico. “Como a estrutura em aço é executada sob rígidos controles de qualidade, sua montagem é rápida e limpa, não causando distúrbios no local da obra”, destacam os arquitetos

A preocupação com a utilização de recursos naturais também está presente nas novas estações do Rio de Janeiro. A estação Cidade Nova é dotada de aberturas que proporcionam ventilação natural e de brises que controlam a incidência de luz nos ambientes. As telhas isotérmicas de aço, do tipo sanduíche, reduzem a transmissão do calor e colaboram para evitar o ruído sobre a cobertura em dias de chuva.

Os caixilhos de vidro da passarela são do tipo basculante e podem permanecer abertos na maior parte do tempo, ou fechados em dias de chuva com vento, evitando danos nos equipamentos internos. As escadas rolantes de acesso à passarela têm fechamento em vidro e são dotados de ventiladores movidos a energia solar. Nos vestiários a água quente é proveniente de um aquecedor solar e as águas da chuva são coletadas e armazenadas para a irrigação dos jardins.

“O resultado final, o conjunto da obra e sua inserção no meio urbano garantiram a conexão de dois lados da avenida que anteriormente não se comunicavam. A passarela foi projetada de maneira a garantir transparência e permeabilidade ao conjunto, se inserindo de maneira respeitosa à cidade. O nosso desafio foi trabalhar a grande estrutura, tirando benefícios estéticos e gerando transparência e beleza”, finaliza o arquiteto. (D.P.)

Ficha Técnica:

Projeto arquitetônico: João Batista Martinez Corrêa, Beatriz Pimenta Corrêa, Emiliano Homrich, Cecília de Souza Pires e Gabriela Assis Guerra Costa (JBMC Arquitetura e Urbanismo S/C Ltda.)
Área construída:2.500 m²
Aço empregado:aço de maior resistência à corrosão
Volume de aço: 1.830 t
Consultoria estrutural:Engenheiro Paulo Ricardo de Barros Mendes
Projeto estrutural, instalações e sistemas:Noronha Engenharia S/A.
Projetista: Flavio Baraboskin
Especificações técnicas:Marco Pelaes
Fornecimento da estrutura metálica:Usiminas Mecânica S/A.
Execução da obra: Odebrecht
Local:Rio de Janeiro
Data do projeto: junho de 2009
Conclusão da obra: julho de 2010

Fonte:

Revista Arquitetura & Aço - edição 24 – Dezembro/ 2010

     
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