Habitação Sustentável em Aço - Página 2

Os (7) Parametros 

1 - O Uso do Solo

Considerando que a qualidade do ambiente urbano na faixa tropical úmida depende em grande medida de uma boa ventilação (conforto térmico e higiênico) o modelo proposto prevê não apenas edificações “permeáveis”, mas também a implantação de blocos isolados, dispostos de maneira a permitir o permanente fluxo de ar entre as edificações.

O aumento da densidade (considerada a baixíssima densidade dos assentamentos predominantes) conduz a um modelo mais produtivo para ocupação do território, absorvendo o crescimento populacional e contendo o avanço da mancha urbana.

As edificações foram pensadas como um sistema que pode assumir diversas dimensões; o numero de pavimentos será reflexo da capacidade de carga do solo e da possibilidade de mecanização do edifício.

O Paisagismo deve ser pensado integralmente com espécimes nativas, dispensando cuidados ou doses extras de água.

2 - Desempenho Bioclimático

A Sombra e a ventilação são entendidas como recursos estratégicos essenciais, dispensando as soluções ativas ou mecanizadas como a climatização. Por esta razão os espaços são “explodidos”; vazados; fluidos. Como não há estação fria os fechamentos de vidro foram dispensados (Glass free).

A ventilação resfria o meio e as edificações; mantém a atmosfera livre de partículas em suspensão; previne a condensação da umidade nas superfícies e a conseqüente formação do mofo.

A cobertura, como um para-sol com grandes beirais e as varandas, além de sombrearem, garantem boa proteção contra as chuvas sem, no entanto, impedir a ventilação. A edificação é elevada do solo, sobre “estacas”, como palafitas.

A ventilação cruzada é garantida por amplos interiores; divisórias internas à meia altura e as venezianas, desenhadas para bloquear a intensa luz solar, mas para admitir o ar francamente. A movimentação das venezianas permite controlar a velocidade do ar no interior da unidade, bem como bloquear os raios solares do poente e nascente.

Foram adotados materiais com pequena massa ou inércia térmica (evita armazenar calor durante o dia uma vez que as noites são igualmente quentes). A adoção de cores claras também minimiza a absorção da radiação solar.

3 - Construção e Operação

A construção é simples, composta de poucos elementos (componentes): “Essencial”.

A partir de uma seção transversal tipo o edifício é concebido como uma máquina (sistema) estrudável; reprodutível. Componentes pré-fabricados deverão ser simplesmente montados no local, garantindo um processo limpo e racional; uma obra seca.

Composta por perfis de mercado a superestrutura de aço será toda aparafusada dispensando a atividade de solda in loco. O uso de painéis de laje dispensa o uso de escoramentos ou estruturas temporárias.

A utilização de componentes industrializados acabados dispensa o uso de pintura ou outros cuidados superficiais, minimizando as atividades de manutenção.

Quando necessário, alguns componentes podem ser substituídos e o descarte encaminhado para a reciclagem.

A utilização de recursos passivos como responsáveis pelo funcionamento minimiza os custos e a complexidade da operação do edifício.

4 - Materiais e Recursos (Desempenho Ambiental)

O projeto busca responder à crise global principalmente através da redução. A idéia de arquitetura “essencial” prevê uma construção simples; mínima, com uso econômico de materiais (Lightness).
Da mesma forma, tendo seu funcionamento embasado nas soluções passivas o edifício demanda um mínimo consumo de energia para funcionar e se manter.

A geração de energia limpa in loco, porém não está descartada, de acordo com a disponibilidade financeira e o regime de fornecimento energético da região pode-se lançar mão da geração de energia Solar (fotovoltaica) na cobertura.
Os princípios para especificação dos materiais empregados são: certificação ecológica com custo acessível (compatibilidade com empreendimento para habitação de interesse social) buscando manter um equilíbrio entre componentes da indústria de âmbito global e materiais locais.

Alguns sistemas prediais de simples funcionamento e manutenção deverão ser implementados, tais como sistema solar para aquecimento de água e reuso de águas pluviais (devido ao alto índice pluviométrico o reuso das águas cinzas pode ser descartado).

5 - Flexibilidade e Reprodutibilidade

A idéia de arquitetura essencial como infra-estrutura nos levou a conceber um sistema flexível baseado na disponibilização de pisos abertos e sombreados, que como plataformas (lembrar os decks das embarcações fluviais da região) oferecem um suporte, um espaço aberto para ser apropriado.

O Edifício, montado a partir de componentes pré-fabricados e elementos industrializados, é naturalmente apto à reprodutibilidade.

Pensado como um sistema adequado para toda a faixa tropical úmida, o edifício tem grande capacidade para absorver a heterogeneidade e mutabilidade do uso e permitindo que possa ser reproduzido em contextos diferentes com dimensões diferentes.

6 - Fatores Sócio-culturais

A imponderabilidade e a velocidade com que se modificam a organização familiar, tendo como condicionantes sua religião, divisão do trabalho, valores simbólicos, dentre outros, nos levou a pensar as unidades como salões abertos, flexíveis.

A intervenção no espaço por parte de seus usuários não é apenas permitida, mas é também encorajada: a participação na definição do espaço estimula o sentimento de pertencimento que além de promover o bem estar da comunidade propicia o envolvimento e compromisso com a preservação do lugar: fator fundamental na balança da sustentabilidade do conjunto (empreendimento).

Varandas e circulação horizontal ao mesmo tempo em que são o lugar da sombra, da proteção das radiações solares é também espaço de vivência e encontro, estes espaços comuns são estruturadores da dinâmica do edifício e podem também tornar-se estruturadores da comunidade.

O uso de materiais industrializados certificados, remete ao envolvimento de uma sociedade produtiva organizada, assim como a incorporação de técnicas/tradições locais traz identidade cultural ao conjunto.

7 - Custo

A arquitetura essencial é por sua própria natureza econômica: seja pela industrialização de sua produção, seja pelo uso parcimonioso de materiais.

A predominância do uso de recursos naturais, como o vento ou a iluminação natural, reduz consideravelmente a necessidade de equipamentos e, portanto a quantidade de energia e de capital para a construção e operação de edifícios.
A industrialização da construção promove a economia de escala além da redução no tempo de execução e do desperdício de material na obra.

 



     

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