Mobilidade sobre trilhos

A estação Borges de Melo, na região do aeroporto, segue o padrão que será adotado em oito das dez estações do VLT da capital do Ceará

VLT de Fortaleza atravessa a cidade e marca a paisagem com estações feitas em aço e vidro. Transporte atenderá cerca de 100 mil passageiros por dia.

Os veículos leves sobre trilhos, mais conhecidos por VLTs uma versão moderna dos antigos bondes, são apresentados como uma alternativa mais barata e sustentável do que outros meios de transporte coletivo, como os ônibus e o metrô. O sistema pode transportar até quatro vezes mais pessoas do que o primeiro e sua implantação custa menos e é mais rápida que a construção de linhas de metrô. Justamente por isso foram escolhidos para melhorar a mobilidade urbana na capital cearense, uma das sedes da Copa do Mundo de 2014.

O ramal do VLT de Fortaleza , com 12,7 km de extensão, liga Parangaba, na região central da cidade, a Mucuripe, na zona portuária. Passa por 22 bairros, incluindo o aeroporto, a Arena Castelão e o setor hoteleiro da orla marítima. Ao longo do trajeto, a nova linha conta com dez estações e beneficiará cerca de 100 mil passageiros por dia.

As estações de embarque e desembarque foram concebidas em três diferentes tipologias, conforme sua utilização. O modelo-padrão segue a configuração da estação Borges de Melo, localizada na região do Aeroporto, e será adotado em oito delas. A estrutura em aço da cobertura recebeu fechamento de telhas de aço com proteção térmica e nas laterais, placas de policarbonato. Além da modernidade e leveza das instalações, a transparência obtida com essa configuração garante luz natural durante o dia e viabiliza um belo efeito com a iluminação noturna. A Borges de Mello foi a primeira estação do VLT a ficar pronta, em dezembro de 2013.

Estação Parangaba que faz integração com outros modais do sistema de transporte da cidade

As outras duas estações, Papicu e Parangaba, seguem tipologia diferenciada e terão maior porte, pois fazem integração com outras linhas e modais que compõem o sistema de mobilidade urbana de Fortaleza.

A estação Parangaba está em um trecho de via elevada e faz a conexão entre o ramal do VLT, a Linha Sul do metrô e o terminal de ônibus do Sistema Integrado da cidade.

Já em Papicu, uma estação de superfície, a integração será com a futura Linha Leste do metrô e com o terminal de ônibus. No local, três acessos distintos feitos por meio de passarelas em aço e rampas sobre a Via Expressa farão a conexão da população com o terminal urbano, que terá piso monolítico antiderrapante e fechamentos com guarda-corpos em aço e vidro em sua composição.

Referência em aço

A estação Parangaba é uma das principais marcas do novo VLT. Seguindo a mesma linguagem definida para todas as estações, o projeto traz uma impactante estrutura em aço.

De acordo com Rodrigo Moraes Leme, coordenador de projetos da Setec Hidrobrasileira, empresa responsável pela elaboração do projeto executivo do ramal, "uma característica importante do projeto foi a introdução dos pórticos metálicos que sustentam a cobertura da estação, liberando a plataforma de pilares o único elemento que transpassa a estação é o elevador para deficientes e idosos".

Estação Papicu, com estrutura da cobertura em aço. Três passarelas em aço fazem a conexão com o terminal de ônibus urbano

O projeto da estação, além de garantir maior espaço para as operações de embarque e desembarque, traz, ainda, outros benefícios: possibilita ampla visão do trajeto dos trens, bem como uma excelente ventilação. "Sua dupla abertura lateral garante a passagem do ar de forma permanente e, somada às telhas metálicas com isolamento termoacústico, protegem os usuários do calor característico de Fortaleza", comenta Leme.

A implantação do VLT teve início em 2012 e deverá estar totalmente concluído e entregue à população no segundo semestre deste ano.

Projeto arquitetônico: Daniel Hopp Fernandes
Projeto executivo: Setec Hidrobrasileira
Área construída: 10.112,09 m²
Aço empregado: perfis de chapa dobrada, tubos de aço (fy=300 Mpa), perfil soldado e chapas aço (fy=300 Mpa), perfis laminado ASTM A572 GR 50, barras redondas ASTM A36, parafusos para ligações principais ASTM A325, parafusos para ligações secundárias  ASTM A307 e soldas eletrodo AWS-E7018-W
Volume de aço: 470 t
Projeto estrutural: Rui Jorge de Oliveira Alves
Fornecimento da estrutura de aço: Hispano
Execução da obra: Consórcio CPE-VLT Fortaleza
Local: Fortaleza, CE
Início do projeto: junho de 2011
Conclusão da obra: segundo semestre de 2014

 

Fonte:

14/07/2014 | Notícia | Revista Arquitetura & Aço - Edição 38

 

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