Estrutura de malhas espaciais

A Arena Pernambuco combina dois sistemas de fechamento. Na cobertura, uma surpreendente estrutura de aço espacial atirantada. Na fachada, um manto composto por um sistema de almofadas pneumáticas, fabricado com filme de ETFE.

A cobertura da arena tem 22 mil m² em que a estrutura de aço espacial fica envolvida por uma manta termoplástica de poliolefina (TPO).

Com capacidade para 46 mil torcedores, a Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, Região Metropolitana do Recife (PE), se tornou uma âncora para a implantação da futura Cidade da Copa, legado para a região que também deverá contar com um campus universitário, parques e empreendimentos, tais como shoppings, hotéis, escritórios e residências.

Mas, por enquanto, é o estádio o protagonista, principalmente pelo surpreendente sistema de cobertura e fachada. Um sistema de estrutura espacial de aço dá suporte tanto à cobertura como ao revestimento da fachada, feito com camadas de filme de etileno tetrafluoretileno (ETFE) compostas por almofadas infladas com ar a baixa pressão. A cobertura e a fachada, portanto, são sistemas diferentes e independentes, ancorados na estrutura de concreto do estádio.

O filme utilizado na fabricação das almofadas pneumáticas é composto por fluorpolímero de alto desempenho, desenvolvido e fabricado pela AGC Chemicals, no Japão. Trata-se de um material resistente à luz ultravioleta para uso ao ar livre, que proporciona durabilidade. Por ser leve, permite a fabricação de almofadas de grandes dimensões, que podem vencer vãos superiores aos sistemas convencionais de revestimento. A Arena Pernambuco poderá mudar de cor dependendo da necessidade, com tons neutros durante o dia e outros mais fortes, em jogos noturnos. Permite a personalização conforme as cores dos clubes ou temas de eventos, em uma conversa constante entre as áreas internas e externas.


Cobertura espacial

A cobertura da Arena Pernambuco, por sua vez, com 22 mil m², tem estrutura envolvida por uma manta termoplástica de poliolefina (TPO), que, junto com chapas corrugadas e elementos isolantes, proporciona estanqueidade às intempéries, ventos e, ainda, tem características termoisolantes.

A estrutura espacial de aço, em balanço, é atirantada em 68 pilares de cerca de 15 toneladas cada um, apoiados em estrutura de concreto. O fechamento superior é formado por um anel externo com telhas metálicas termoacústicas e anel interno com fechamento em vidro.

Desenvolvidas com estrutura caracterizada pela montagem de malhas espaciais com base em nós esféricos e barras tubulares aparafusadas, a cobertura vence grandes vãos, constituindo uma grade. Estas estruturas espaciais são leves, com desenho que possibilita várias geometrias e flexibilidade nos pontos de apoio, com instalação simples e rápida.

A estrutura foi pré-montada, em 22 módulos de 1.000 m² cada, no solo, e içada pronta junto com os fechamentos, vidros e o forro interno, de modo a antecipar a colocação das telhas. Ao mesmo tempo, os pilares metálicos eram içados e ligados por tirantes a cada módulo. As peças contavam com barras de acoplamento que foram encaixadas em altura, compostas até configurar a estrutura final.

O processo de fabricação dos produtos fornecidos para o estádio foi automatizado a partir de equipamentos de Controle Numérico Computadorizado (CNC), utilizados em centros de usinagem. Assim, a estrutura fabricada ficou o mais próxima possível do projeto teórico.

Capitaneado pelo Consórcio Arena Pernambuco (Odebrecht Participações e Investimentos e Odebrecht Infraestrutura), o estádio foi projetado pelo escritório Fernandes Arquitetos Associados, e sua estrutura adaptada também para receber eventos como shows, convenções e outras competições esportivas. (H.M.)

Ficha Técnica

Projeto arquitetônico: Fernandes Arquitetos Associados;
Área construída: 136 mil m²;
Aço empregado: aços estruturais;
Volume de aço: 1.450 t;
Fornecedor da estruturade aço: Lanik do Brasil (detalhamento, fabricaçãoe montagem);
Execução da obra: Consórcio Arena Pernambuco (Odebrecht Participações e Investimentos e Odebrecht Infraestrutura);
Local: Recife, PE;
Data do projeto: 2008-2010;
Conclusão da obra: 2013.

 

Fonte:

CBCA - Revista Arquitetura & Aço - Edição 37
Fotos Rafael Bandeira

 

 

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