Cronologia do Uso dos Metais

Mundo Antigo

Tão longe quanto se remonta no tempo, os vestígios do homem na Terra são marcados por armas, por instrumentos ou pelo resultado da ação do fogo.
"Cerca de dez a vinte mil anos antes da nossa era, a retirada dos últimos glaciares teve como conseqüência na Europa o estabelecimento de um clima temperado.
"Enquanto desapareciam os animais ferozes, os homens começaram a estabelecer-se fora das grutas e das cavernas, a praticar a agricultura e a domesticar animais. O período correspondente, chamado Período Neolítico ou Nova Idade da Pedra, é aquele em que se constituíram as bases técnicas das nossas civilizações.
"O Período Neolítico é caracterizado por uma considerável extensão das técnicas primitivas. Estas são a partir de então aplicadas a gêneros de vida novos e têm de satisfazer necessidades variadas."

As transições de um grande período histórico para o seguinte são sempre graduais, e assim foi a transição da Idade da Pedra para a Idade dos Metais. O cobre era utilizado no Oriente Médio já no quinto milênio antes de Cristo, e talvez também no Egito. O bronze apareceu no Oriente no quarto milênio, e pouco mais tarde no Egeu, mas não surgiu no mediterrâneo ocidental antes do terceiro milênio a.C.

"Todos os povos da Idade da Pedra Polida (Neolítico) tiveram um embrião de metalurgia. Mas isso não quer dizer que todos tenham tido, desde essa época, conhecimento das técnicas metalúrgicas. Na realidade fizeram uso acidental de metais nativos, especialmente o ouro.
"A metalurgia é uma síntese; pressupõe o uso coerente de um conjunto de processos, e não a prática de um instrumento único. A sua verdadeira origem é desconhecida. Com efeito, a forja põe em jogo as percussões (martelo), o fogo (fornalha), a água (têmpera), o ar (fole) e os princípios da alavanca.
"No início a raridade dos metais era tão grande que só eram forjadas armas. A utensilagem corrente continuava a ser de pedra ou de madeira. Por isso, o cobre, o bronze e o ferro não vieram suplantar brutalmente a pedra. Instrumentos de pedra e instrumentos de metal coexistiram até o início dos tempos históricos e, em certos casos, até os nossos dias.

"O desenvolvimento da civilização desde o período neolítico prossegue através de uma série de 'culturas', caracterizadas cada uma delas por um conjunto mais ou menos definido de técnicas fundamentais.
(...) "O início das civilizações antigas está estreitamente ligado ao progresso dos trabalhos agrícolas. Surgem as (...) 'cidades', que o trabalho das aldeias alimenta. Estas cidades dirigirão o comércio, a indústria, a vida social, fixando as tribos. Assim se edificaram, em bases pastoris e agrícolas, as civilizações dos grandes impérios. (...) A ceifa fez-se primeiro com foices de madeira ou de barro providas de dentes de sílex, muito cortantes, e depois com foices metálicas.
(...) "O uso do cobre, depois do bronze, em seguida do ferro, vai-se definindo pouco a pouco na evolução destas culturas, sem introduzir uma brusca modificação.
"Baseada nesta herança, a Antigüidade construirá brilhantes civilizações. Estas ensinarão ao homem a arte de julgar as suas próprias obras, mas não transformarão as suas bases técnicas. Só a Grécia, por meio das suas invenções, conduzirá a humanidade por uma nova via, a via da ciência e das suas aplicações, prodigioso desenvolvimento das inspirações primitivas do homem técnico.

"O Egito, como a Mesopotâmia, a Índia e a China, foi um foco de civilização, isto é, um centro de cultura humana superior. Semelhantes centros favoreceram sempre o progresso das técnicas antigas e freqüentemente iniciaram mesmo técnicas novas. Os progressos da metalurgia, e especialmente da metalurgia do ferro, são disso um exemplo."
"Durante parte do período de florescimento das culturas egípcia e mesopotâmica, outras civilizações se desenvolveram na meso-América - isto é, na área hoje correspondente ao México e algumas regiões da América Central.

"Entre 800 e 400 a. C., o centro Olmeca mais importante situava-se em La Venta, em Tabasco (a sudoeste da atual Tonala). Nessa época, a cerâmica era mais elaborada, e se organizaram alguns locais de comércio para a importação de jade, minério de ferro, cinábrio (principal minério do mercúrio), a serpentina mineral e outras mercadorias, mas não se conhecem bem os detalhes quanto aos usos desses materiais. Há um fato interessante revelado pela escavação arqueológica: a presença de um tipo de colar feito de pequenos espelhos côncavos de ferro, tendo cada um um pequeno furo no centro."

Os Andes Centrais foram o berço de outro grupo de civilizações. Mesmo sem contato direto com a América Central, o desenvolvimento era semelhante. A principal diferença tecnológica era que os povos andinos descobriram como trabalhar ouro, prata e cobre, que usavam em utensílios e jóias.
"Mesmo nos estágios mais antigos da civilização Inca, a maior da América do Sul pré-colombiana, revelam-se certas características notáveis: o motivo de uma cabeça de felino usado amplamente na decoração e uma grande gama de trabalhos em metal, que inclui a soldagem de ouro fino martelado, ornamentos e pontas de lança de cobre, trabalhos com prata e a preparação de fusões. A fundição com cera também era conhecida. (...) Dois séculos mais tarde os Incas poderiam ser descritos como uma civilização dotada de considerável tecnologia. Praticavam a irrigação e o controle da água em escala maior que seus predecessores, inventaram um método de construção com alvenaria sem cimento, usaram a alavanca e promoveram o emprego de outras ferramentas de metal, e possuíam uma balança de braços."

O Uso dos Metais

Provavelmente, o cobre foi descoberto por acaso, quando alguma fogueira de acampamento foi feita sobre pedras que continham minério cúprico. É presumível que algum observador neolítico de olho arguto tenha notado o metal assim derretido pelo calor do fogo, reproduzindo mais tarde o processo propositadamente. Por certo tempo o cobre foi usado na forma pura porque assim era obtido. Mas o cobre puro é por demais mole para fazer instrumentos e armas úteis. Do 4º ao 3º milênio, as técnicas de fusão e modelagem vão se sofisticando quando surge a primeira liga, o cobre arsênico, composto tão venenoso que logo terá que ser substituído. O passo seguinte foi a descoberta de que a adição ao cobre de apenas pequena proporção de estanho formava uma liga muito mais dura e muito mais útil do que o cobre puro. Era a descoberta do bronze, que possibilitou ao homem modelar uma multidão de novos e melhores utensílios: vasos, serras, espadas, escudos, machados, trombetas, sinos e outros. Mais ou menos ao mesmo tempo, o homem aprendeu a fundir ouro, prata e chumbo.

Entre 3.000 e 2.200 a.C. - época contemporânea dos sumérios e do antigo império egípcio -, a Idade do Bronze chegou para os povos neolíticos que ocupavam Creta e as Cíclades. Florescentes manufaturas de metal existiam em Creta por volta de 2500 a.C., nas Cíclades e na parte meridional do continente.
A procura dos minérios, pelos testemunhos que os egípcios, por exemplo, nos puderam deixar, foi a causa de muitas expedições guerreiras e de inúmeras rotas comerciais que favoreceram as mais diversas trocas.

O Trabalho do Ferro

Uma brilhante descoberta conduz a outra, às vezes logo depois. Assim, apenas cerca de 2.000 anos após a descoberta do cobre e do bronze, o ferro também passou a ser usado. Esse novo metal já era conhecido no segundo milênio antes de Cristo, mas por longo tempo permaneceu raro e dispendioso e seu uso só foi amplamente estabelecido na Europa por volta de 500 a.C.
Ao mencionar a descoberta do ferro, ultrapassamos os limites dos tempos pré-históricos e invadimos a era da história escrita. Ao alvorecer essa nova era, a cultura, em diversos lugares, amadurecia em civilização. Após centenas de milhares de anos de lerda e tediosa preparação pré-histórica, chega o princípio da história da civilização.

O vestígio mais remoto deste metal é um conjunto de quatro esferas de ferro, datadas de 4000 a.C., encontradas em El-Gezivat, no Egito.
Por volta de 1500 a.C., havia exploração regular de minério no oriente próximo e os hititas são citados, na tradição grega, como o povo dominador das terras e da técnica de obtenção e fabrico de instrumentos de ferro.

 



     

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